mentiras do livro de Raimundo Narciso
As observações que se seguem são o inevitável desenvolvimento do meu «post» de 5 de Maio sobre uma referência constante de uma recensão de J.P. Castanheira no caderno «Actual» do Expresso ao livro de Raimundo Narciso, têm em conta o que escreveu sobre o assunto no seu blogue e beneficiam já da minha leitura do livro. 2. A leitura do livro, escrito num tom bilioso, caricatural e chocarreiro, permite de facto aclarar que eu tinha e tenho inteira razão para protestar e desmentir. Com efeito, no 4º parágrafo da sua pág. 65, escreve Raimundo Narciso : “Dos iniciais componentes do Gabinete de Crise já só restavam, decididos a não recuar, António Graça, Vítor Neto, Pina Moura, Fernando Castro, José Luís Judas e o autor deste relato. Vítor Dias, Luís Sá, Ruben de Carvalho e outros que até ali tinham feito intervenções mais ousadas, mas sem nunca pisar o risco, deixaram de nos acompanhar, por convicção ou por outras razões. Claro que todos foram chamados a seu tempo, ao camarada responsável pelo seu trabalho, uma ou mais vezes e a todos foi prestada a necessária «ajuda ao camarada», com mansidão ou rispidez». Como é fácil de concluir por esta citação, torna-se então absolutamente evidente de que a referência de J. P. Castanheira de que « o grupo é amplo, mas muitos deles acabaram por fazer marcha atrás, como Luís Sá, Vítor Dias, Ruben de Carvalho e outros» tem estrita e indiscutível corre
spondência com o que foi escrito por Raimundo Narciso.3. Surpreendemente ou não, Raimundo Narciso resolveu hoje, em post no seu blogue com o título «Mas o que diz o livro, afinal ?» , dar um passo que ainda não tinha dado, escrevendo que «o texto do Expresso de 5 deste mês que provocou a reacção de Vitor Dias [...] refere três momentos: "o gabinete de crise", um jantar em Alvalade e "o grupo secreto" que transferiu o seu quartel-general do 5º andar da sede do Comité Central do PCP para casa de Joaquim Pina Moura, no Restelo. Vítor Dias é referido no primeiro momento, o do "gabinete de crise", cuja existência, se assim se pode dizer de um grupo de camaradas que trabalhavam na Soeiro Pereira Gomes, de composição variável, dependente de quem estava por ali, à hora do café, a seguir ao almoço (...). Vitor Dias ainda é referido no livro mais cinco vezes, uma boa performance, mas em nenhuma delas é possível encontrar qualquer contribuição sua para a saída do pântano em que o PCP se tinha atolado.» Relativamente a esta última sentença de RN, só quero sublinhar que o animador de um «grupo» e um prisioneiro da lógica de «grupo» tem naturalmente muita dificuldade em apreciar a acção dos que, fora de qualquer grupo e combatendo as etiquetagens cristalizadoras e redutoras, agem com independência na base das suas próprias convicções, juízos e reflexões.
4. Segundo as palavras de RN, a minha inclusão no grupo refere-se pois ao «primeiro momento» - o do «Gabinete de Crise» (expressão que devo confessar ouvi pela 1ª vez na vida quando RN começou agora a propagandear o seu livro) . Ora, quanto a isto, RN faz uma tremenda confusão e, no fundamental, transforma a circunstância de camaradas e amigos (que nalguns casos já o eram há muitos anos e até no tempo da António Serpa) conversarem ou estarem juntos depois de almoço no convívio da SPG numa estrutura de uma actividade de fracção. É evidente que falávamos de problemas e questões do Partido (tanto em convergência como em divergência) e também de muitos outros assuntos correntes e mais ligeiros. Pelo meu lado, jamais na minha presença qualquer dos outros camaradas falou ou fez sugestões que se aproximassem daquilo que RN e outros andavam a fazer ou a preparar ou que tivessem que ver com formas de articulação política entre os presentes.
5. Aproveito ainda para esclarecer que, ao contrário do que RN garante, eu pelo menos não fui chamado nenhuma vez ao «camarada responsável» pelo meu trabalho. Lamento também que RN me inclua entre os «críticos» que tinham o «sonho» de «subir ao sexto andar» porque, nesta matéria, há várias coisas que ele sabe mas não quis contar. Assim,por exemplo, sabe que fui insistentemente convidado para integrar a Comissão Política no XII Congresso (1988) e que não aceitei (tendo entendido fazê-lo no XIII Congresso em 1990). De igual modo, lamento profundamente que, não contente por ter tratado Luís Sá como me tratou a mim, Raimundo Narciso venha, na pág. 137, incluir este saudoso camarada na lista dos «críticos que assumiram a designação de renovadores comunistas», nos finais da década de 90. Como já aqui escrevi, faz verdadeiramente falta uma Carta dos Direitos dos Mortos.
6. Por fim, no único comentário que ultrapassa a esfera pessoal, só quero manifestar a opinião de que tudo seria mais franco, mais transparente e mais pedagógico se o anexo sobre os «percursos políticos» dos membros da «terceira via» em vez de estar na página 195 estivesse logo no príncipio do livro. De facto, saídos do PCP em finais de 1991, por expulsão ou decisão própria, três anos depois, os mais destacados já estavam em conversações e encontros com o PS. E, assim, olhando para onde foram com relativa rapidez e os cargos que vieram desde logo a ocupar, é perfeitamente legitimo adivinhar para onde, com relativa rapidez, gostariam de ter levado o PCP.

4 comments:
Olhem só que espertalhaço!
A foto do Álvaro Cunhal na capa vai ajudar a vender melhor a coisa e o gajo vai ganhar um dinheirito à custa disso.
Vítor, infelizmente a experiência vai ensinando que quem se vende, às vezes, vai bebendo o cálice até ao fim.
Já é triste vê-los fugir, renegar o passado com falsa argumentação, mas é mais deprimente vê-los perder a vergonha.
... e a caravana continua...
Victor Dias,
Há um aspecto bastante interessante que tenho verificado em quem, num determinado momento, com toda a legitimidade, abandona a militância no PCP. No dia seguinte passam a ser considerados os maiores democratas do país e arredores, ganham o estatuto de figuras públicas imprescindíveis ao comentário político da propaganda nacional, auto consideram-se super inteligentes e são acima de tudo muito bons rapazes...
É caso para dizer, milagre!
mas quem são estes putos que secalhar nunca estiveram no Vitoria, na Antonio Serpa e secalhar nem viram a Soeiro Pereira Gomes a ser construida e vem para aqui cagar sentenças, mas afinal quem é que não assume o que fez,se querem roupa suja posso ir busca-la ao bau quantos episodios querem que vá buscar na soeiro só tenho pena de já depois de terem dado quase a vida ao partido quando arranjam outro trabalho tentem estragar a vida ás pessoas fazemdo com que sejam despedidas este é só um facto e não tem muitos anos. Peço desculpa pela falta de pontuação mas a pica de vos elucidar é tanta que me falta a paciência para tal.
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