10/08/07

Resposta necessária

a Manuel Correia



No «Puxapalavra», Manuel Correia, cujos «posts» naquele blogue eu jamais comentei, resolveu atirar-se ao meu «post» "Desculpem, mas não resisto" saindo, como é seu direito, em defesa do seu companheiro de blogue Raimundo Narciso e brindando-me logo na primeira linha com a amável e serena observação de que eu teria revelado «uma traquinice intelectual compulsiva». Ora, a respeito do que Manuel Correia escreveu, importa-me observar o seguinte (e que é influenciado pelas boas recordações que guardo do tempo em que trabalhámos juntos):

1. Vá-se lá saber porquê, a verdade é que Manuel Correia gasta quase metade do seu «post» a discorrer sobre as diferenças entre o livro de Zita Seabra e o de Raimundo Narciso quando eu não só não tinha procedido a qualquer amálgama entre esses livros como tinha expressamente ressalvado as diferenças entre as duas pessoas.

2.
Manuel Correia mostra-se muito irritado e incomodado por eu ter assinalado um ponto comum entre Raimundo Narciso e Zita Seabra que decorria apenas da comparação entre os procedimentos idênticos que ambos adoptaram em relação a reclamações de rectificação de terceiros: ou seja, Zita Seabra mandando às urtigas a promessa de rectificação que tinha feito a Raimundo Narciso e causando neste uma grande «decepção»; e Raimundo Narciso quando demorou 21 dias a proceder a uma rectificação que, em relação ao seu livro, eu considerei que me era devida. E disse no meu anterior «post», e mantenho, que Raimundo Narciso terá carradas de razão em relação ao que reclama de Zita Seabra mas não tem, de facto, um cisco de autoridade depois da forma como lidou com as minhas reclamações de clarificação ou rectificação.

3. Em relação a isto, Manuel Correia consegue espantosamente escrever que resultava «claro do texto de Raimundo Narciso que Vítor Dias conversava com alguns dos dissidentes, mas com eles não deveria ser confundido, não pendendo contra ele quaisquer incómodas suspeitas a manchar um passado impoluto» (e, fazendo a citação, até passo ao lado da sua parte final que comporta um veneno dispensável). Agora, fica à apreciação dos leitores se o que Manuel Correia diz neste ponto tem alguma correspondência com o que se afirma no 4º parágrafo da pag. 65 do livro de Raimundo Narciso e que é o seguinte :
“Dos iniciais componentes do Gabinete de Crise já só restavam, decididos a não recuar, António Graça, Vítor Neto, Pina Moura, Fernando Castro, José Luís Judas e o autor deste relato. Vítor Dias, Luís Sá, Ruben de Carvalho e outros que até ali tinham feito intervenções mais ousadas, mas sem nunca pisar o risco, deixaram de nos acompanhar, por convicção ou por outras razões». E para Manuel Correia fica o desafio de encontrar no livro de Raimundo Narciso (e republicar) alguma citação que, de forma credível, dê base à afirmação que agora fez neste seu «post».

4. Por fim, não posso deixar de lamentar que Manuel Correia, numa daquelas velhas técnicas de «desqualificação» do oponente, tenha resolvido encerrar o seu «post» acusando-me de «preferir a propaganda à discussão» e de, «mesmo com infantilidades», pretender manter uma suposta (digo eu) «auréola consolidada de irrepreensíveis guardiões do pensamento oficial». Com estas duas lamentáveis observações, Manuel Correia obriga-me a dizer aquilo que, de forma isenta, devia estar na sua própria memória. E que se resume nisto : ponto primeiro - posso ter todos os defeitos do mundo e mais alguns, mas na área comunista não são muitos os que tenham escrito mais do que eu precisamente no plano da discussão: ponto segundo - é preciso conhecer muito mal o meu percurso ao longo de mais de quarenta anos para pensar que se me aplica a qualificação de «guardião» do «pensamento oficial» e para desconhecer que o que sempre me guiou, sendo eles e elas certos, errados ou assim-assim, foram ideais e convicções, não como uma mera construção externa a que se adere, mas como algo que também vamos construindo e vivendo dentro de nós próprios.

9 comments:

Alexiev disse...

Muy bonitos textos y poesias... pasare seguido por tu Blog...

Saludos desde Buenos Aires...

http://www.alexiev.com.ar

Anónimo disse...

A diferença é que tu carregas convicções no lugar onde esses senhores carregam conveniências...

magnolia disse...

É espantosa a forma como pessoas demasiado inteligentes e de certa forma grandes intelectuais, conseguem por vezes cair no rídiculo com a incoerência das suas ideias e a confusão do discurso. Já tinha lido o teu post "Desculpem mas não resisto" e, realmente, quando lemos o comentário de Manuel Correia, parece que o mesmo se refere a um texto completamente diferente. Há quem goste de deturpar o sentido das coisas. Talvez seja assim que encaram aquilo a que se chama uma discussão... mas não é por dizermos que o branco é preto, que o branco se torna mais escuro.

Maria disse...

Estes posts são sempre necessários para repor a verdade. Sempre. Pena não haver na comunicação social televisiva o "direito de resposta".
No que toca a livros e livrinhos que agora se publicam como se fossem cogumelos eu já não tenho paciência.
Já não conseguia ouvir alguns tons de voz que em tempos me foram familiares. Agora já nem consigo ver as caras que vomitam tanta asneira e mentira quando, sem as ter convidado, me entram pela casa dentro....
Desculpa Camarda, foi um desabafo...
Continuação de bom trabalho.

Rita Oliveira Dias disse...

Discordo da Maria, venham mais livros,biografias,cartas e documentos! Não concordam? então escrevam o vosso, é de tudo isto que depois se constroi a história e não de silêncios.
Quando é que escreves um livro?Abraço

Mar Arável disse...

UMA COISA É CERTA - O CORREIA -

DELICADAMENTE NO SEU BLOG COLETIVO

ADMITE NÃO SER UM DOENTE RENAL MAS

CONFESSA TER UNS CRISTAIS - PELO MENOS NO RIM ESQUERDO

Olaio disse...

"o que sempre me guiou, sendo eles e elas certos, errados ou assim-assim, foram ideais e convic�es, n�o como uma mera constru�o externa a que se adere, mas como algo que tamb�m vamos construindo e vivendo dentro de n�s pr�prios."

Palavras que gostava de ter pensado e dito!

Anónimo disse...

Alguns deles não são muito diferentes do que sempre foram, mas têm agora interesses diferentes.
E como a sardinha é outra, também puxam a brasa de outra maneira.

Tino disse...

Ouvi hoje na Antena 1 a entrevista que o Vitor deu, acerca da existência e o porquê deste blog. Agora que já dei uma volta «aqui à roda», só lhe desejo, saúde e força para continuar este trabalho.
Um abraço
PS. já está nos favoritos.