Sábias palavras
A propósito ou a pretexto da recente declaração pública do novo Governador de Nova Iorque, David Patterson, de que ele e a mulher, em certo período tinham tido casos extra-conjugais ( declaração que obviamente visou desarmar posteriores «revelações» hostis), José Vítor Malheiros assina hoje no Público um texto, penetrante e judicioso como é habitual, em que, logo no antetítulo começa por sustentar lapidarmente que «recusar aos políticos a reserva da sua vida privada é recusar a própria dignidade do que é privado».Assino, pois, por baixo. Entretanto, apenas assinalo que José Vítor Malheiros saberá tão bem como eu que, estando isto certo e e sendo tudo isto impecável, esta questão tem mais contornos e aspectos. E, sem desculpar ou absolver a perversidade dos media, tudo se complica quando se sabe que, no quadro da deriva da política-espectáculo, um número sempre crescente de políticos passou a usar, desvendar e exibir generosamente com objectivos políticos múltiplos aspectos «impecáveis» ou «sedutores» da sua vida privada, sem conta, peso e medida. E, nesses casos, o que acontece é que ficam com pouca autoridade para protestar contra a invasão da sua privacidade em torno de elementos mais « negativos», «sombrios» ou «chocantes» aqueles que antes exploraram politicamente tudo o que, na sua vida privada, era «glamour», beleza, felicidade e brilho.

1 comments:
Forniquem-se uns aos outros
mas não utilizem asas de anjo
para angariar votos
como puritanos
de merda
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