05-04-2008

Combates da Memória ( 21 )


Há 35 anos
o 3º Congresso da
Oposição Democrática

Há 35 anos, mais precisamente de 4 a 8 de Abril, decorria em Aveiro o 3º Congresso da Oposição Democrática que constituiu uma relevante e poderosa afirmação de unidade e combatividade antifascista e que, graças a uma inteligente condução política, testemunhada designadamente na decisão de não recuar na decisão de realizar a romagem à campa de Mário Sacramento e à subsequente brutalidade repressiva usada pela ditadura fascista, sepultou definitivamete os últimos resquícios de ilusões que pudessem subsistir a respeito da «demagogia liberalizante» de Marcelo Caetano. Os interessados podem encontrar aqui , na página do PCP na internet, um exaustivo dossiê sobre este Congresso de Aveiro. E aqui o artigo que, no 25º aniversário do 3º C.O.D. publiquei no Avante! sobre o significado dessa histórica jornada com o título «Unidade na acção, rumo à conquista da liberdade».

O dr. Álvaro Seiça Neves usando da palavra
na abertura do Congresso

A carga da Polícia de Choque sobre a manifestação

Extracto da declaração final
do 3º Congresso da Oposição Democrática
(...)
0 agravamento das contradições internas do regime e a limitação da sua base política de apoio tem levado o Governo, como resposta a essa agudização, a acentuar a escalada repressiva em todos os aspectos e sectores da vida nacional, criando uma situação em que para se ser acusado de subversão e receber os golpes de um poder que não conhece limites, é suficiente tomar consciência dos problemas do país e legitimamente procurar-lhes caminhos de solução.

4) – Perante este quadro, que foi pormenorizadamente analisado por cerca de duas centenas de teses e comunicações e em vinte e cinca longas e largamente participadas sessões de trabalho, os democratas presentes no III Congresso da Oposição Democrática concluem que os objectivos imediatos, possíveis de atingir através da acção unida das forças democráticas, são:

- Fim da guerra colonial;
- Luta contra o poder absoluto do capital monopolista;
- Conquista das liberdades democráticas.
(...)

4 comments:

samuel disse...

Um dos não-fardados que exactamente neste instante se preparavam para começar a correr mas mesmo assim ainda apanharem duas ou três bordoadas nas costas... sou eu, com vinte anos, a tomar consciência, pelo "método de choque", da realidade política que havia tão pouco tempo tinha começado a contar e cantar.
Estou, por um lado, a recordar toda a aventura que foi conseguir chegar a Aveiro, enganando as barreiras de polícia com o trunfo de conhecer de cor e salteado o nome das povoações entre Aveiro e a aldeia onde moravam familiares e estar portanto "em casa" e não ser um dos forasteiros do reviralho e ao mesmo tempo, estou a fazer um esforço do caneco para me lembrar de alguma cara que fosse minimamente parecida com a do jovem Marcelo Rebelo de Sousa... e não consigo!...
Talvez não esteja a esforçar-me o suficiente!...
Esta "angústia" é compensada com os privilégios de:
1. Ter lá estado.
2. Ouvir o Zeca a cantar "O que faz falta", que viria a gravar no disco que saíu a seguir, em 74.
3. Ser um dos privilegiados que viram a cena dos cães-polícia de Lisboa, que quando tiveram ordem para atacar, atacaram e morderam os primeiros humanos que apanharam e não conheciam de lado nenhum, na ocasião... os "polícias-cães" de Aveiro, cena que quando foi relatada no "Avenida" minutos depois, fez nascer a frase "os cães mordem-se uns aos outros", que fez abanar de riso o cine-teatro.

Obrigado pela recordação!

Abraço.

Patricia disse...

Depois de ver a fotografia da policia,de me lembrar como eram aqueles tempos,de ler o post do Samuel,pensei para comigo como é que é possível que alguns venham agora falar que no momento em que vivemos estamos a um passo do FASCISMO,que está a surgir uma nova PIDE.Ontem até um deputado do PSD disse na AR que a democracia estava em agonia.

Hertz disse...

Tanto caminho andado e outro tanto por fazer.

Anónimo disse...

http://bichos-carpinteiros.blogspot.com/2008/04/medeiros-pereira-no-iii-congresso-da.html