04/06/08

Como é possível ?


Apenas e exclusivamente
para repôr a verdade !


Ele há, de facto coisas extraordinárias ! É o caso da página 8 do Público de hoje, onde em peças assinadas por um estimável jornalista e dedicadas ao comício de ontem à noite no Teatro da Trindade, por três-vezes-três se escreve e afirma que «Comunistas optaram por ficar de fora do comício». Ora acontece até que, na altura em que isto foi escrito, já estava mais que esclarecido na comunicação social e entre os jornalistas que uma tal afirmação não tinha o mais pequeno fundamento ou razoabilidade.
Acresce que, na última edição do semanário Sol se podia ler :« O PCP não foi convidado para a festa da convergência das esquerdas. Fonte da direcção comunista [na verdade, o Gabinete de Imprensa do PCP] disse ao Sol que «não há nenhuma participação nesse comício» lançado «sem qualquer envolvimento do PCP».
E, para completar este espectáculo de inexcedível rigor e respeito pela verdade, acrescente-se apenas que, em chamada na primeira página do DN de hoje, a citada iniciativa é apresentada como «o comicio-festa da esquerda descontente». E, por esta via, fiquei a saber que, embora isso não se note na minha cara e muito menos na acção política e na luta de todos os dias, que pertenço a um partido que fará parte da esquerda «contente». Meu Deus, as coisas que uma pessoa aprende...

P.S.:Entretanto, outro intelectual, e de esquerda, (Rui Bebiano, no «a terceira noite»), certamente também por «deslize semântico» acaba de escrever que «tenho poucas dúvidas sobre qual vai ser a prestação de Manuela Ferreira Leite como líder da oposição», juntando-se assim às centenas de jornalistas, comentadores e dirigentes políticos que nas últimas décadas têm tranquilamente debitado esta patranha do «lider da oposição», apesar de todas as chamadas de atenção (as minhas estão resumidas aqui).

3 comments:

Anónimo disse...

Vitor Dias terá tambem sido um deslizes semantico, que levou todo o grupo Parlamentar do PCP, a fazer um minuto de silêncio á memoria do Conego Melo?

Desculpe mas por vezes não há paçorra.....

Hertz disse...

Casamentos e baptizados...só para convidados!!!

VÍTOR DIAS disse...

Para «anónimo» das 22:41 e outros que voltam sempre ao minuto de silêncio do Cónego Melo:

Eu também não tenho pachorra, mas recapitulando o que fui escrevendo noutros blogues, e arrumando o assunto quero tirar o seguinte balanço:

1º É verdadeiramente notável que alguns não tenham tido praticamente uma palavra contra o PS que deixou passar o voto de pesar e o negociou com o CDS e que passassem o tempo todo a criticar o PCP por ter feito o minuto de silêncio que, goste-se ou, tem muito menos significado político-parlamentar que a aprovação do voto apresentado pelo CDS.

2. É verdadeiramente notável que alguns tenham apresentado como homens dignos, corajosos e verticais aqueles deputados que saíram da sala antes da votação ou antes do minuto de silêncio e não haja um palavra para condenar e pôr em evidência a sua falta de coragem em votarem contra a moção do CDS-PS, COISA QUE OS DEPUTADOS DO PCP FIZERAM.

3. Como afirmei na caixa de comentários do blogue da Joana Lopes -e aqui honesta e sinceramente repito - «tenho a experiência política suficiente para saber que há decisões muito dificeis de tomar em cima da hora; e admito sem custo que se eu próprio estivesse no lugar deles [deputados do PCP], poderia orientar-me por este critério : um voto de pesar é um instrumento político parlamentar baseado num texto enquanto um minuto de silêncio é normalmente e em toda a parte uma atitude de respeito perante uma morte (e não se deseja a morte a ninguém).
Sabe Joana, eu já vi e vivi o suficiente para, se estivesse naquela altura na primeira fila da bancada do PCP, pensar assim: «se não participamos no minuto de silêncio, não faltará quem diga que somos de aço, que nem perante a morte de alguém só capazes de uma atitude de respeito e que a morte dos nossos inimigos até nos dá é vontade de festejar».

4. POr fim, o «anónimo» que se cuide e tenha atenção aos prováveis boomerangs: é que minutos de silêncio já houve seguramente muitos na AR e tinha a sua graça se, por acaso, se viesse porventura a apurar que também houve um minuto de silêncio pelo chefe político-militar do Cónego Melo e que os deputados do Bloco de Esquerda na altura não piaram nem um centésimo do que piaram agora.