Carta (*) do director
do Eurostat a José Sócrates
Mão amiga que, por razões compreensíveis, pretende ficar no anonimato, fez-me chegar uma cópia de uma carta recentemente enviada ao primeiro-ministro português pelo director-geral do Eurostat e que reza assim:Caro Senhor primeiro-Ministro:
[C/ conhecimento ao Ministro do Trabalho e da Segurança Social, aos Presidentes do INE e do IEFP e ao Prof. Vital Moreira]
Excelência:
Lamentando desviar por uns minutos a atenção de V. Exa. de assuntos seguramente mais prementes e importantes, não posso deixar de lhe dar nota da surpresa e até intranquilidade que têm causado na secção do Eurostat que trata dos dados sobre o desemprego a ímplicita desvalorização e desprezo pela taxa de desemprego em Portugal em benefício da alegação do número de novos empregos criados durante o seu governo e do recurso à justificação do aumento da população activa como formas de demonstrar que o seu governo estaria à distância de apenas 17 mil novos empregos para cumprir uma promessa eleitoral feita em 2005.
Neste sentido, é meu dever informá-lo que, sendo certo que o governo português é livre de «decretar» verbalmente a inutilidade, o fim ou a morte dessa tradicional referência chamada «taxa de desemprego», já entretanto o Eurostat não poderá deixar de continuar a divulgar essa taxa quer quanto ao seu valor médio no conjunto da União Europeia quer na sua desagregação pelos países-membros. E, ao mesmo tempo, chamo a atenção de V. Exª para que este organismo não considera viável ou possível passar a colocar asteristicos à frente das taxas de desemprego de cada país que remetessem para a explicação sobre se aí houve ou não aumento da população activa.
A circunstância de dirigir um organismo dependente da Comissão Europeia impede-me naturalmente de fazer referências que possam ser tidas como uma interferência no debate político em Portugal. Mas, se não fosse essa a situação, caberia então lembrar a V.Exª que nas suas críticas aos números do desemprego durante o governo que antecedeu aquele a que preside, ninguém se lembra de ter desprezado a taxa oficial de desemprego, de invocar algum eventual aumento da população activa ou de se ter deixado impressionar com o número de novos empregos criados durante o anterior governo, o que certamente também terá acontecido, pois como não deixará de saber, em regra, mesmo em situações de crise ou estagnação ecónomica há quase sempre criação, embora insuficiente, de novos empregos.
Por fim, informo V.Exa. de que, como era meu dever face às incertezas sobre o futuro do seu trabalho por parte dos especialistas e técnicos que no Eurostat trabalham sobre os dados do emprego e desemprego, lhes tenho garantido que a continuidade do seu trabalho não está em risco, além do mais, porque o Eurostat depende da Comissão Europeia e não do Conselho Europeu. Neste sentido, creio que V. Exa. se terá de conformar com o prosseguimento da publicação ou divulgação de quadros como o que anexo já de seguida.
Desejando a V. Exa. as maiores felicidades pessoais e os maiores êxitos governativos, subscrevo-me com elevada consideração.
2008.08.20
Hervé Carré
Director-geral do Eurostat


8 comments:
Coitado do sr 1º Ministro...o que é que ele pode fazer, nem ele tem garantias de quando ficar desempregado, arranjar um emprego!
A nã ser que:-o sr Belmiro por especial favor o consiga meter como fiel de armazem, mas aquilo para aqueles lados tambem está tão mal, o homem já perdeu metade do que tinha, isto está muito mau, penso até que este DESgoverno está a pensar sériamente em imigrar.
Ouvi dizer que:-para o ano que vem, penso eu de que!!!!
incrivel
Vitor Dias: pode garantir a veracidade desta alegada carta?
Caros «anónimo» e «lenine»:
Parecem estar confirmados os tradicionais riscos de textos de humor e de ironia.
Assim sendo, é meu dever explicar que esta carta do director do Eurostat é um puro exercício de FICÇÃO POLÍTICA da minha exclusiva autoria e responsabilidade.
Peço desculpa se induzi alguém em erro, sinal de que não consegui cumprir uma regra muito recomendada
para estes casos e que consiste em deixar espalhado no texto um ou outro sinal mais evidente sobre a real natureza do texto.
O DG do EUROSTAT nunca se atreveria a uma coisa destas.
A propósito do Fortes (e do Bernardino) eu já lhe tinha dito que era melhor não falar de declarações infelizes pois a ironia tinha dois gumes. V. precipita-se...
Qualquer pessoa que leia um post num blogue com a intenção de o criticar politicamente tem de ter mais atenção ao que lê.
Por que razão existindo uma carta do director do eurostat o dr. Vital Moreira tinha de ter conhecimento?
Quem é Vital Moreira para o Eurostat? Um pseudo social democrata que foi comunista e se diz socialista e que escrev num blogue com nome "macedonico"?
Folgo em sabê-lo apreciador e praticante de uma boa ironia.
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