04/09/08

Vale tudo e, quando convém, tudo se esquece


Perdoando o

ALASKA FIRST


Ontem, na Convenção do Partido Republicano, como se pode ver pela foto extraída do Público, foi exibido desta maneira o actual slogan principal da campanha McCain-Palin COUNTRY FIRST (O PAÍS PRIMEIRO ou PRIMEIRO O PAÍS). Ora acontece que a imprensa americana tem gasto muitas mais palavras com uma questão absolutamente irrelevante em termos políticos - a gravidez da filha adolescente de Sarah Palin - e que um módico de decência mandaria não trazer à colação eleitoral, do que um facto da biografia da senhora Palin que é da esfera política, que não é muito remoto e que não bate nada certo com o slogan Country First.
É que Sarah Palin foi durante seis anos - entre 1996 e 2002 - membro de um partido estadual - o Alaska Independence Party (cujos dirigentes procuram agora baralhar as pistas)- que defendia a secessão do Alaska, ou seja a sua saída dos Estados Unidos da América e, depois disso, já como Governadora enviou a um Congresso desse partido uma muito expressiva saudação (de que existe video).
Pela minha parte, não se trata de defender que um político deve ficar amarrado ao seu passado para sempre mas convenhamos que não é uma pequena coisa na biografia política de alguém que se candidata a Vice-Presidente e, que vencendo o seu «ticket», em caso de morte ou impedimento duradouro do Presidente passará a ser ela a Presidente dos EUA. E isto ainda por cima passa-se dentro das fileiras de um Partido Republicano que se julga e se porta como se fosse o proprietário do patriotismo americano e usa o «patriotismo» como arma de arremesso contra adversários, as mais das vezes sem senso, escrúpulo ou vergonha.
Como escreveu um jornalista norte-americano, o que já não se teria dito de Barack Obama se da sua biografia constasse que, há sete anos, ainda era membro de um partido que defendia a secessão do Estado do Illinois. Apesar da gravidade que este elemento deveria assumir, infelizmente não tenho a certeza de que as coisas sejam bem como se ilustra no primeiro cartoon abaixo de Peter Brookes no Times de Londres.


«Ela é um verdadeiro tiro no braço
da minha campanha»

«Para uso autorizado nos «media» cortar pelo picotado»

«Tenham medo... tenham verdadeiro medo !»

McCain:«Alguns estão preocupados com a sua fraca
experiência no relacionamento com um país estrangeiro»
Sarah:« O Alasca contará, uma vez que
se separe da União ?

À esquerda: «Os Estados Unidos tiveram uma grande
vitória no Iraque. Agora voltamos à nossa história principal.
»
À direita: «Nós temos uma grande cobertura do escândalo
da gravidez de Palin».

e, por fim, um cartoon muito mauzinho
(que, como outros, reproduzo a título de
informação e não por concordância)

McCain: «Não, ela não é a minha enfermeira»