04-10-2008

Glórias do jornalismo português


Errar e fazer de conta

que não aconteceu nada


Disse no título do «post» de ontem que «Amanhã veremos...» e o que hoje sobre o assunto em causa podemos ver no Público só pode ser classificado como um caso exemplar de falta de respeito pelos leitores.
De facto, o Público ignora totalmente o comunicado do PCP (que comportava um desmentido directo ao Público) e, junto a outro assunto, reproduz declarações de Jerónimo de Sousa com o mesmo teor do comunicado do Gabinete de Imprensa do PCP (mas que são apresentadas sem qualquer referência ao Público). Essa peça ainda se dá ao luxo de terminar sentenciando que «estas mudanças e substituições já estão em preparação, daí já estar consagrada a saída de Agostinho Lopes» (sublinhado meu).
Ora acontece que podia ter-se dado o caso de o
Público de ontem ter publicado uma peça anunciando ou prevendo que Agostinho Lopes, na sequência do próximo Congresso do PCP, deixaria de ser membro da Comissão Política do PCP. Mas não foi isso que a peça do Público ontem noticiou. Porque toda a «notícia» de ontem estava centrada e estruturada no facto de que
Agostinho Lopes já teria saído, agora, da Comissão Política do PCP, como se pode comprosar relendo o texto no sítio do jornal.
Resumindo: o Público ontem falou de alhos e hoje vem fazer de conta que ontem tinha falado de bugalhos. Tudo isto porque, pelos vistos, para alguns jornais e jornalistas, reconhecer que se errou ou que se foi enganado por uma «fonte» é quase o mesmo que os seus parentes cairem na lama.
Mas ainda que a notícia de onde tivesse sido sobre uma eventual não continuação depois do Congresso de Agostinho Lopes na Comissão Política do PCP, é preciso lembrar que perguntas sobre matérias destas estão armadilhadas à partida e não têm resposta possível por um motivo que, sem grande êxito, ao longo de anos procurei explicar a jornalistas.
É que um actual dirigente do PCP, medindo os convenientes e inconvenientes (em geral, estes são maiores), pode, quando muito, antes de um Congresso, declarar que está indísponivel ou disponível
para ser proposto
para integrar determinados órgãos ou exercer determinadas responsabilidades.
Mas o que um módico de elementar ética e cultura democráticas lhe proibem é anunciar que se vai manter em certo órgão directivo ou manter as suas responsabilidades actuais. Pela simples razão - que devia ser óbvia - de que fazê-lo seria pressionar ou usurpar a soberania de decisão do Congresso (que elege o Comité Central) e do Comité Central eleito em Congresso ( que elegerá de seguida os organismos executivos).

3 comments:

Anónimo disse...

Para mim, e independentemente das amizades e admiração que nutro por alguns jornalistas do "Público, bem como pelo profissionalismo com que os grafismos são realizados,etc, há muito que, em termos de orientação, porque são muitos os casos que ao longo dos anos teno registado, me convenci da lixarada e da não verticalidade que por ali campeia, repito, em termos de quem tem o poder de decidir - é a minha percepção. Sendo-se empregado ali, tendo-se ali o ganha pão, está-se sujeito a ter que amochar. De qualquer maneira, é sempre proficuo fazer como VD, aproveitar a deixa e explicar como devem funcionar as ética e cultura políticas. Obrigado. FSilva

Aurora disse...

Camarada

O mesmo jornal, que normalmente ignora qualquer iniciativa do PCP, na página nº. 4 informa, ocupando a quase totalidade da mesma página, que o Sr. "Henrique de Sousa abandona o PCP criticando a orientação política e ideológica da direcção", com direito a uma gravura com uma dimensão considerável e que tem como legenda "Continuam os abandonos de históricos do PCP".
As eleições aproximam-se e o José Manuel começa a abrir a campanha.
Assim vão os ditos jornais de "referência".

Anónimo disse...

eles têm lá um provedor e se achar que não serve sempre dá para madar a sua mensagem para a redacção toda, via publioc online