30/06/09

Duros factos mas...


... ah, a felicidade !

Por razões de seriedade, devo avisar que este tema, que constituiu ontem o «Destaque» do Público, já foi abordado em outros blogues com sensatez e profundidade, pelo que não resta acrescentar muito.
Sublinho apenas, como outros já fizeram, que é discutível critério metodológico misturar uma coisa tão concreta como a dificuldade em «pagar uma semana de férias fora de casa» com uma coisa tão frágil, de díficil definição e de carácter eminentemente subjectivo como o estado de «felicidade» ou «infelicidade».
E arrumo a questão confessando honestamente que, se um dia fôr apanhado por um inquérito destes e perguntado se me sinto «feliz» ou «infeliz», dificlmente saberei o que responder. Além disso, palpita-me que, tal como tantas outras coisas na vida, a infelicidade deve ser uma coisa que a muitos, se não à maioria, não apetece confessar a desconhecidos. Deixem portanto a felicidade em paz e olhem para o resto dos dados.

4 comments:

Anónimo disse...

Excelente este post, concordo 100%, deixem lá a felicidade em paz e deem-nos o que temos direito.

Mário Rui

Anónimo disse...

Isto é um grande Teatro....mas,democrático!

joaquim d'odemira disse...

E alguns ainda estão mais felizes porque lutam com determinação contra este estado de coisas.

Ricardo disse...

Vitor, a ideia da função da felicidade não é um tema novo na economia. Existem trabalhos interessantes que procuram relacionar níveis de rendimento, desemprego, precariedade, participação, entre outros, e o conceito de bem-estar (aqui associado à ideia de quanto maior o bem estar, maior a felicidade).
Os inquéritos existentes apresentam alguma evidência de que o desemprego e a precariedade estão negativamente correlacionados com o bem-estar. A participação está directamente correlacionada. E por fim, deste conjunto de variáveis que seleccionei, o rendimento num determinado momento também está directamente correlacionado. No entanto, se observarmos ao longo do tempo esta correlação deixa de existir. Ou seja, está presente uma valorização do rendimento relativo, de posicionamento relativo numa escala de rendimentos. Concordo que é muito discutível relacionar variáveis quantitativas com qualitativas sujeitas a forte subjectividade. No entanto é possível traçar tendências. O que se torna perfeitamente subjectivo e até desonesto é afirmar que o povo português è feliz... E mesmo comparar o nível de felicidade entre diferentes países. O que é possível (na minha opinião) é fazer a relação das variáveis (a sua valorização e contributo) com o sentimento de bem-estar.
Já agora. Sem ainda ter sido explorado, seria interessante relacionar o conceito de felicidade (bem-estar) com o de pauperização e perceber que o rendimento absoluto e o que podemos adquirir com ele não tem o mesmo significado ao longo do tempo. E por isso, não podermos afirmar que hoje somos mais ou menos "ricos".