Um exemplo
(convenientemente) de Espanha
Enquanto por cá as coisas estão como se vê e enquanto registo que, segundo o Público de hoje, só em Novembro o Procurador-Geral da República pediu ao DIAP de Aveiro mais dados sobre três certidões referentes a Armando Vara e José Sócrates que tinha recebido entre Julho e Setembro, dou comigo a pensar que o que aconteceu na edição de ontem de El País é um elucidativa ilustração dos dilemas que hoje rodeiam a administração da justiça e a sua percepção pela opinião pública.
Com efeito, aquele diário espanhol publicava um artigo de opinião de dois juizes e de um Prof. Catedrático de Direito intilulado A inversão de valores na justiça e que, no fundamental embora com outra profundidade, combate (não interessa agora se por amor da justiça ou se por outra razão) aquilo que eu próprio recentemente aqui chamei de «inquietante deriva para instituir julgamentos na praça pública, liquidar na prática a presunção de inocência substituindo-a pela presunção de culpa e as patentes violações do segredo de justiça bem como a sua gestão política».
O problema, como se vê, está apenas nisto: os dois juízes e o Catedrático de Direito até podem ter carradas de razão no plano dos príncipios mas o que é que se quer que a opinião pública pense se não vê ninguém vir dizer que o mail e as facturas exibidas são contrafacções ?

3 comments:
Dezenas de casos são notíciados e dabatidos na "praça pública" (felizmente que ainda há liberdade de imprensa) mas será que são todos fantasia? A verdade é que não se vêem nenhumas condenações das dezenas de casos que chegam ao nosso conhecimento, assim, só há duas hipóteses: Ou é tudo mentira, somos todos paranoicos e "vivemos no melhor dos mundos"; ou as nossas leis e os nossos Tribunais são incapazes de julgar e condenar os corruptos.
A incapacidade de se conseguirem as necessárias provas para as condenações entroncam nos instrumentos e leis que os políticos põem à disposição dos investigadores e Tribunais. Se é esse o motivo, então o caso é grave e levanta até suspeitas de que a dita corrupção domina já os legisladores e os políticos que escolhemos para nos governarem.
Zé da Burra o Alentejano
Cá pelo burgo, vamos tendo, a justiça e os partidos que nos calharam na rifa.
O CDS que ontem dizia indignado que nada tinha a ver com o Godinho, e que não tinha registo dos tais 20.000 euros de contribuição, hoje já veio dizer que sim senhor, recebeu dois cheques de 10.000 cada , do tal Godinho, MAS FOI TUDO LEGAL.
Mas como se sabe o CDS do Paulo Portas, raramente é investigado, e quando é, acaba tudo nada.
Há silêncios
desgraçados
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