11/11/09

Honny soit...


Um exemplo

(convenientemente) de Espanha



Enquanto por cá as coisas estão como se vê e enquanto registo que, segundo o Público de hoje, só em Novembro o Procurador-Geral da República pediu ao DIAP de Aveiro mais dados sobre três certidões referentes a Armando Vara e José Sócrates que tinha recebido entre Julho e Setembro, dou comigo a pensar que o que aconteceu na edição de ontem de El País é um elucidativa ilustração dos dilemas que hoje rodeiam a administração da justiça e a sua percepção pela opinião pública.
Com efeito, aquele diário espanhol publicava um artigo de opinião de dois juizes e de um Prof. Catedrático de Direito intilulado
A inversão de valores na justiça e que, no fundamental embora com outra profundidade, combate (não interessa agora se por amor da justiça ou se por outra razão) aquilo que eu próprio recentemente aqui chamei de «
inquietante deriva para instituir julgamentos na praça pública, liquidar na prática a presunção de inocência substituindo-a pela presunção de culpa e as patentes violações do segredo de justiça bem como a sua gestão política».


Entretanto, no noticiário e como vendo sendo seu hábito, o El País, dava grande destaque à acção interposta pelo PSOE contra o PP de Valência e, certamente em violação do segredo de justiça e por generosidade do PSOE, publicava os fac-similes de um mail e de facturas ilustrando de forma arrasadora os procedimentos usados pelos acusados para disfarçar um intrincada rede de corrupção e lesão do erário público a favor do PP.



O problema, como se vê, está apenas nisto: os dois juízes e o Catedrático de Direito até podem ter carradas de razão no plano dos príncipios mas o que é que se quer que a opinião pública pense se não vê ninguém vir dizer que o mail e as facturas exibidas são contrafacções ?

3 comments:

Anónimo disse...

Dezenas de casos são notíciados e dabatidos na "praça pública" (felizmente que ainda há liberdade de imprensa) mas será que são todos fantasia? A verdade é que não se vêem nenhumas condenações das dezenas de casos que chegam ao nosso conhecimento, assim, só há duas hipóteses: Ou é tudo mentira, somos todos paranoicos e "vivemos no melhor dos mundos"; ou as nossas leis e os nossos Tribunais são incapazes de julgar e condenar os corruptos.

A incapacidade de se conseguirem as necessárias provas para as condenações entroncam nos instrumentos e leis que os políticos põem à disposição dos investigadores e Tribunais. Se é esse o motivo, então o caso é grave e levanta até suspeitas de que a dita corrupção domina já os legisladores e os políticos que escolhemos para nos governarem.

Zé da Burra o Alentejano

Anónimo disse...

Cá pelo burgo, vamos tendo, a justiça e os partidos que nos calharam na rifa.

O CDS que ontem dizia indignado que nada tinha a ver com o Godinho, e que não tinha registo dos tais 20.000 euros de contribuição, hoje já veio dizer que sim senhor, recebeu dois cheques de 10.000 cada , do tal Godinho, MAS FOI TUDO LEGAL.

Mas como se sabe o CDS do Paulo Portas, raramente é investigado, e quando é, acaba tudo nada.

Mar Arável disse...

Há silêncios

desgraçados