22/11/09

Evocação no "El País" do cantor espanhol


António Vega



antonio vega

piñon Vídeo do MySpace



A última letra de António Vega
(falecido este ano)


Lejos donde no llega la voz
Rebota el eco de una imagen muda
El amanecer, con la niebla del recuerdo confundido
Me atrapa y lanza a un viaje veloz
Acercándome al calor de la estrella que persigo
Cuando la noche sólo era el día oscurecido
No existía el dolor amargo del vencido
Cuando vivir no era privilegio restringido
yo podía ser feliz sin ser el elegido
Hasta aquí he llegado
desde aquí he partido
un camino sin descanso que buscó donde nacer
Antes de haber nacido.

21/11/09

Hoje, na primeira página do "Público"


Amargos tempos modernos


Notícia e foto de Nélson Garrido na primeira página do Público de hoje. Todas as palavras são dispensáveis. Entretanto, tal valha a pena destacar um "pormaior" desta foto, como segue.

Tratar-nos por parvos


A lata de J. Lacão


No passado dia 15, aqui chamei a atenção para que, na véspera, em entrevista à SIC, «o ministro e dirigente do PS Augusto Santos Silva, parecendo muito bem informado, disse que as "escutas a Sócrates" duraram quatro meses e que, atenção, se tratou de uma "escuta sistemática ao longo de meses em flagrantíssima violação da lei" ao primeiro-ministro que terá sido capaz de produzir 52 cassetes. E, subscrevendo as críticas do ministro Vieira da Silva, o ministro da Defesa considerou que "a expressão espionagem política pode aplicar-se» neste processo. »
Hoje, em entrevista no Público a Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, as jornalistas Leonete Botelho e Raquel Abecassis perguntam-lhe directa e explicitamente: "Conversas que foram escutadas pelas autoridades judiciais e que levaram dois ministros a falar de "espionagem política". Não é também politizar a justiça?
E Jorge Lacão responde desta forma exraordinária e inesquecível : «Não. O que dois governantes com estilos diferentes vieram procurar sinalizar foi que os temas da justiça não possam ser utilizados como instrumentos de luta política. E o problema mais sério da justiça que todos reconhecem é a violação do segredo de justiça. Precisamos que a justiça tenha serenidade e eficácia. É perturbador que matéria tão reservada, como conversas telefónicas, possa vir a ser revelada como violação ao segredo de justiça. »
Concluindo, dou alvíssaras a quem for capaz de descobrir o que é que a resposta de Lacão tem de ver com o que efectivamente foi afirmado por Vieira da Silva e Santos Silva. E que tal se parassem de gozar connosco ?

Espanha, 2009


Sem emenda nem vergonha !


Porque hoje é sábado (141)


Seasick Steve

A sugestão musical de hoje incide sobre o
cantor e músico norte-americano
Seasick Steve que acaba de publicar
um novo álbum intitulado
Man of Another Time.
Já de seguida pode ouvi-lo em três canções-
My Donny, Cut the Wings e Cheap.








20/11/09

E agora...


... tempo de Shirley Bassey




Em I Love You Now

EUA - cancro da mama

Admiráveis progressos !


Ele: «um novo estudo governamental diz agora
que as mulheres abaixo dos 5o não precisam
de mamografias anuais e, depois dos 50,
só precisam de dois em dois anos».
Ela:« desculpa, dizes que o governo está a lançar
um balão de ensaio para racionar os cuidados
de saúde? Perdi-me depois do «estudo governamental"»

Dantes: «Detecção precoce salva vidas»
Agora:« esperar 10 anos salva dinheiro»


- Ela faria agora 50 anos...

- Altura para a sua primeira mamografia recomendada.

A caminho dos Estados Unidos da Europa


Habemus baronesa !

Com a escolha dos famosíssimos Herman Van Rompuy, primeiro-ministro belga, para presidente permanente do Conselho Europeu, e da britânica baronesa Catherine Ashton para Alto Representante para a Política Externa, a União Europeia lá dá mais um passinho para os muito envergonhadamente desejados Estados Unidos da Europa. A coisa já tinha hino, bandeira, moeda e Parlamento e agora passa também a ter Presidente e Ministro dos Negócios Estrangeiros. E só não tem Constituição porque houve uma pequeno-grande percalço. Convém porém não desanimar. Para suprema felicidade dos "federalistas de esquerda", não tardará muito o dia em que, democracia europeia oblige, qualquer ligeira mudança progressista na política de um país-membro ficará dependente dos humores eleitorais simultâneos de para aí quinhentos milhões de europeus. Como aliás sempre se pretendeu e quis.

19/11/09

Grande êxito no Olympia de Paris


Mais Melody Gardot



Letra de Baby I'm a Fool

How was I to know that this was always only just a little game to you?
All the time I felt you gave your heart
I thought that I would do the same for you,
Tell the truth I think I should have seen it coming from a mile away,
When the words you say are,
“Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall in love”
If I gave a thought to fascination I would know it wasn’t right to care,
Logic doesn’t seem to mind that I am fascinated by the love affair,
Still my heart would benefit from a little tenderness from time to time,
but never mind,
Cos Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall in love,
Baby I should hold on just a moment and be sure it’s not for vanity,
Look me in the eye and tell me love is never based upon insanity,
Even when my heart is beating hurry up the moment’s fleeting,
Kiss me now,
Don’t ask me how,
Cos Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall,
Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall,
And I would never tell if you became a fool and fell in Love.

Um livro estrangeiro por semana (60)

The Diary of Frida Kahlo

- an intimate self-portrait

Edição de Harry N. Abrams, Inc., 14.46 E.
Com um prefácio de Carlos Fuentes
e um ensaio de Sarah Love.


«Frida Kahlo's diary, like her art, is painted in breathtakingly vivid colors. It covers her tumultuous last decade and encompasses love letters, political musings on Communism, and resplendent paintings. The paintings, peopled with mythic figures, self-portraits, and monsters, articulate Kahlo's fantastic visions. One drawing melds a procession of crying faces onto an intertwined couple surrounded by body parts, only to dissolve into a mass of roots and dendrites. In the introduction, Carlos Fuentes writes, "...a streetcar crashed into the fragile bus she was riding, broke her spinal column, her collarbone, her ribs, her pelvis.... The impact of the crash left Frida naked and bloodied, but covered with gold dust." Her paintings depict her bodily experience, from anguish to sensuality. Kahlo said, "I never painted dreams, I painted my own reality." This visionary ability earned her a place among the surrealists. ahlo's prose delves into the associations between images and words, feelings and thought. Her writings shed welcome light on her active intelligence and provide an outline of the events of her life. This Abradale edition features plates reproducing the pages of the diary, and essays by Carlos Fuentes and Sarah Lowe that place it in the context of Mexican art, politics, and history. It is a magical work that adds to an understanding not only of Kahlo's work, but of her interior world as well. »Madeline Crowley.

18/11/09

Nestes casos, são «acidentes» da história


The forgotten Autralians




Aqui, no Público de ontem, podia ler-se esta aterradora e chocante notícia:«O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, pediu ontem desculpas ao milhão e meio de "australianos esquecidos" - as crianças que foram vítimas ao longo de várias décadas de maus tratos e abusos em instituições públicas do país, muitas delas enviadas do Reino Unido para a Austrália e em muitos desses casos sem o conhecimento dos pais."[Sentimo-nos] desolados por esta tragédia, esta tragédia absoluta, de infâncias perdidas", afirmou Rudd perante os cerca de mil de sobreviventes deste drama humano que se apresentaram no Parlamento - cumprindo a recomendação feita pelo Senado em 2004, instando o Governo da Austrália a assumir "arrependimento"; (...)Estamos todos juntos para vos apresentarmos as desculpas do Estado, para vos dizer que estamos desolados", prosseguiu, num discurso transmitido pela televisão, lamentando ainda que muitas daquelas crianças tenham sido abandonadas "ao frio, à fome e à solidão, sem terem ninguém, absolutamente ninguém, a quem recorrer". Centenas de milhares de crianças foram vítimas de enormes violências, incluindo casos de abuso sexual, nos orfanatos e casas de acolhimento australianas. (...) Ao longo das três décadas foram enviadas pelo Reino Unido umas 130 mil crianças pobres, entre os três e os 14 anos de idade, para outros países da Commonwealth, sobretudo para a Austrália e Canadá, mas também para a Nova Zelândia, para a África do Sul e para o Zimbabwe, com promessas de que teriam uma vida melhor. Muitas das crianças abrangidas pelo programa estavam já institucionalizadas no Reino Unido, sendo-lhes dito que os pais tinham morrido, ao mesmo tempo que os pais não eram informados de que as crianças estavam a ser enviadas para fora do país. Em muitos casos foram tornadas trabalhadoras em quintas, onde sofreram todo o tipo de abusos físicos, psicológicos e sexuais.»
Entretanto, lido o essencial da notícia e embrulhados o choque e indignação, estou certo que nem um só um defensor do sistema capitalista achará que isto deva ser lançado à conta dele, estou certo que aqui só verão um acidente ou tragédia da história e não crimes como vêem noutras latitudes e que nenhuma corrente política portuguesa, apesar de a estes factos estarem associados governos britânicos conservadores e trabalhistas, admitirá carregar com este peso sobre os ombros porque, como bem sabemos, pesos sobre os ombros e para toda a vida é só para os do costume.

Como o tempo passa...


Nos 40 anos de Easy Rider




Cartaz original de Easy Rider,
filme produzido por Peter Fonda e realizado
por Dennis Hopper em 1969,
com Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson,
Luke Askew e Phil Spector nos principais papéis.
Aqui, na Slate, pode ver um guia interactivo
do percurso dos protagonistas de Easy Rider.


17/11/09

E o outro disse secamente "Estamos nisto!"


Gravitas
precisa-se


É certo que ando desinspirado mas juro que não tenho nenhuma obsessão pelo chamado caso das «escutas» a Armando Vara e, reflexamente mas só reflexamente, a quem com ele falou. Entretanto, embora com atraso, não posso deixar de estranhar e me arrepiar com coisas como a manchete do último Expresso (se soubesse que era o último tinha comprado) que nos revela que o senhor Procurador-Geral da República entende que «se depender de mim, divulgo as escutas para isto acalmar». Acontece que o senhor Procurador-Geral da República deverá ser o primeiro a saber que a divulgação do teor das escutas não depende dele e, por isso, bem se podia dispensar de prometer o que não tenciona nem pode cumprir, para além de ser duvidoso que a sua missão primeira seja de «acalmar» seja o que fôr. Dado o vespeiro e campo minado em que Justiça se transformou, confesso que se há coisa que eu não queria ser era Procurador-Geral da República. Por outro lado, eu sei que os tempos mudaram e que as pressões do mundo mediático podem explicar muita coisa mas, ainda assim, chamem-me conservador se quiserem, eu preferia Procradores-Gerais da República que falassem pouco e forte, oportunamente e com acerto. E é isto que, de há uns anos a esta parte, não há nos titulares desta relevante função, na exacta proporção em que lhes têm faltado essa coisa a que se costuma chamar gravitas e que é indispensável em tal cargo.

De Austin, Texas, EUA



Calvin Russell

Calvin Russell que acaba de publicar um novo
álbum intitulado Dawg Eat Dawg
("Os Cães comem os Cães", em calão texano).
Mais canções aqui.



15/11/09

Esclareçam-no rapidamente


O elefante mexeu-se,

e a porcelana tremeu ?


Leio no Público online que, em entrevista à SIC, o ministro e dirigente do PS Augusto Santos Silva, parecendo muito bem informado, disse que as "escutas a Sócrates" duraram quatro meses e que, atenção, se tratou de uma "escuta sistemática ao longo de meses em flagrantíssima violação da lei" ao primeiro-ministro que terá sido capaz de produzir 52 cassetes. E, subscrevendo as críticas do ministro Vieira da Silva, o ministro da Defesa considerou que "a expressão espionagem política pode aplicar-se» neste processo.
Repare-se que tudo isto é dito quando já passou muito tempo desde as primeiras notícias. Ora acontece que eu sempre li na imprensa que não havia propriamente «escutas a Sócrates» mas sim escutas, devidamente legalizadas, a Armando Vara que, por natural tabela, tinham apanhado conversas de Sócrates com aquele investigado. Se é realmente assim como eu supunha, então o Procurador-Geral da República que explique rapidamente a Santos Silva que não há nisso nenhuma ilegalidade, é pura e simplesmente a vida. Se, por absurdo, como diz Santos Silva, o primeiro-ministro foi alvo, ele próprio (ou seja se Vara não aparece nessas conversas), de escutas e estas não foram, como parece evidente, autorizados pelo Supremo, então eu junto a minha voz à de Santos Silva contra esse infame procedimento.
Assim como estão é que as coisas não podem ficar. Como cidadão na plena posse de todos os meus direitos, entre eles eu tenho também o direito de não ser tratado como parvo ou distraído pelo dr. Augusto Santos Silva.

Para o seu domingo



Emily Loizeau e...






A cantora franco-britânica Emily Loizeau que acaba de gangar o prémio francês Constantino (jovens talentos) pelo seu álbum Sister.


... Adriana Calcanhoto


música de Alain Oulman e poema de Alexandre O'Neil

"L'Enfer" de H-G Clouzot


Crónica de uma ressurreição


A generalidade da imprensa francesa destaca a estreia do documentário de Serge Bromberg que conta a história e recupera imagens desde há 45 anos esquecidas do filme inacabado de Henri-Georges Clouzot L'Enfer, com Serge Reggiani e Romy Schneider nos principais papéis. No Figaro, pode ler Dans les coulisses de «L'Enfer», film maudit de Clouzot e Romy:La lumière et L'Enfer.Ver o filme-anúncio aqui.



14/11/09

A não perder


Sobre a estetização da violência


(vídeo e palavras de W. Benjamin -
uma gentileza da leitora A. M.)



«Fiat ars-pereat mundus, (1) diz o fascismo e,
como Marinetti reconhece, espera que a
guerra forneça a satisfação artística da
percepção dos sentidos alterados pela
técnica. Isto é, evidentemente, a consumação
da l’art pour l’art. A humanidade que, outrora,
com Homero, era objecto de contemplação
para os deuses do Olimpo, é agora objecto de
autocontemplação. A sua auto-alienação atingiu
um grau tal que lhe permite assistir
à sua própria destruição,
como um prazer estético de primeiro plano.
É isto que se passa com a estética da política,
praticada pelo fascismo. O comunismo
responde-lhe com a politização da arte. »

Walter Benjamin, in A obra de Arte na Era da
sua Reprodutibilidade Técnica


( 1) Que a arte se realize,
mesmo que o mundo deva perecer

Porque hoje é sábado (140)


Calle 13

A sugestão musical de hoje distingue
o duo portoriquenho Calle 13 que acaba
de ganhar vários Grammys Latino com
o seu álbum Los de Atrás Vienen Comigo.
Na cerimónia de entrega destes galardões,
os Calle 13 prestaram homenagem a Mercedes Soza.
Pode ouvi-los aqui em
No Hay Nadie Come Tu
e
Fiesta de Locos.

Os filmes em "cartaz" ( 73 )

Shadows

Cartaz do filme Shadows, realizado por
John Cassavetes e estreado em 11 de
Novembro de 1959, com
Ben Carruthers,
Lelia Goldoni, Hugh Hurd e Anthony Ray
nos principais papéis. So
bre os 50 anos
deste filme e a sua importância
deste filme na cinematografia americana,
ler
aqui, na slate. com, artigo de Elbert Ventura.

13/11/09

Oferta de "El País"


Mais Joaquin Sabina


Aqui, em oferta especial de El País, pode ouvir todas as canções de Vinagre y Rosas, o novo disco de Joaquin Sabina.

Giuseppe Casarrubea

Um blogue italiano a não perder

Sim, vale a pena visitar, conhecer e aproveitar o blogue do italiano Giuseppe Casarrubea - aqui em http://casarrubea.wordpress.com/ - dedicado à memória histórica da Itália nos últimos cem anos e que ostenta como grafismo identificador a belíssima fotografia acima da autoria de Robert Capa em que um camponês indica o caminho a um soldado norte-americano em 10 de Julho de 1943. O blogue tem significativamente como lema a ideia de que « importa conhecer o passado para dar resposta ao futuro». Sem prejuízo de muitas outras matérias com interesse, desde já destaco o «post» sob o título Soberania limitada que revela uma selecção de telegramas top secret enviados para Washington pela contra-espionagem americana, entre Outubro de 1945 e Janeiro de 1946 e respeitando à Itália.

Fotos de ontem e para sempre (54)


Michael Kenna


Visite aqui o sítio do grande fotógrafo
inglês Michael Kenna (n.1953)



Hokaido, Japão, 2008.

12/11/09

Correia de Campos, pois então


Ele acha muito bem

tudo e o seu contrário



Provavelmente com a mesma determinação e convicção com que instituiu uma medida tão injusta e disparatada, o ex-ministro da Saúde Correia de Campos já veio declarar que «acha muito bem» o fim das taxas moderadoras por internamentos hospitalares e cirurgias de ambulatório, revelando mesmo que, antes de sair, esteve para acabar com elas.
Infelizmente, pelo menos no Público, não encontrei quaisquer detalhes justificativos avançados pelo próprio sobre esta sua reviravolta e, em qualquer caso, não creio que ele fosse capaz de avançar com a explicação mais curial de que «sabe, era uma vez uma maioria absoluta...».
Entretanto, é uma pena que o dr. António Correia de Campos, para além de não ser capaz de dar explicitamente razão a quem então o criticou, não embrulhe esta sua completa inversão de posição com um argumento mais coerente com aquele que usou para instituir estas taxas moderadoras.
De facto, nessa altura, como já poucos se recordarão, Correia de Campos defendeu as taxas moderadoras de internamento alegando que, com elas, os doentes fariam mais pressão sobre os médicos para terem alta, teoria estapafúrdia e demente que merecia ficar nos anais do dislate e da insensibilidade universais. Dentro dessa mesma óptica, o que agora o dr. Correia de Campos devia ter argumentado é que o fim destas taxas moderadoras já permitia aos médicos dizerem aos doentes: «vá lá, não se queiram ir embora, gostamos tanto de os ter cá...».

Despenalização do aborto


Espanha, 3º milénio,

ano da graça de 2009



Não quererão, por acaso,

umas fogueiras ?


MUITO ANTIGAS MAS BOAS
forneço a bom preço


Taxa de inflação igual a custo de vida ? Não parece !


Bem me parecia !

Título na 1ª página do Público de hoje,

11/11/09

Honny soit...


Um exemplo

(convenientemente) de Espanha



Enquanto por cá as coisas estão como se vê e enquanto registo que, segundo o Público de hoje, só em Novembro o Procurador-Geral da República pediu ao DIAP de Aveiro mais dados sobre três certidões referentes a Armando Vara e José Sócrates que tinha recebido entre Julho e Setembro, dou comigo a pensar que o que aconteceu na edição de ontem de El País é um elucidativa ilustração dos dilemas que hoje rodeiam a administração da justiça e a sua percepção pela opinião pública.
Com efeito, aquele diário espanhol publicava um artigo de opinião de dois juizes e de um Prof. Catedrático de Direito intilulado
A inversão de valores na justiça e que, no fundamental embora com outra profundidade, combate (não interessa agora se por amor da justiça ou se por outra razão) aquilo que eu próprio recentemente aqui chamei de «
inquietante deriva para instituir julgamentos na praça pública, liquidar na prática a presunção de inocência substituindo-a pela presunção de culpa e as patentes violações do segredo de justiça bem como a sua gestão política».


Entretanto, no noticiário e como vendo sendo seu hábito, o El País, dava grande destaque à acção interposta pelo PSOE contra o PP de Valência e, certamente em violação do segredo de justiça e por generosidade do PSOE, publicava os fac-similes de um mail e de facturas ilustrando de forma arrasadora os procedimentos usados pelos acusados para disfarçar um intrincada rede de corrupção e lesão do erário público a favor do PP.



O problema, como se vê, está apenas nisto: os dois juízes e o Catedrático de Direito até podem ter carradas de razão no plano dos príncipios mas o que é que se quer que a opinião pública pense se não vê ninguém vir dizer que o mail e as facturas exibidas são contrafacções ?

Há 91 anos, o Armstício...


A banda desenhada e a guerra de 14-18




















Até 13 de Dezembro, decorre no Historial de la Grande Guerre - Musée 14 18 em Peronne (Somme, Picardia, França) a exposição Mobilisation générale ! 14-18 dans la bande dessinée (cartaz em cima à esquerda) que dá testemunho do crescente interesse de autores de banda desenhada pela 1ª Guerra Mundial igualmente comprovada pelo álbum
Cicatrices Guerre (s) (imagem à direita).

Slideshow aqui

10/11/09

Na série «pais e filhos» (?) a vez de...


... Harper Simon





Mais canções de Harper Simon aqui.

J.M. Júdice e as certidões


Com amigos assim ...

Estou farto de confessar que sou apenas um ex, longínquo e fracassado estudante de Direito e, portanto, longe de mim qualquer pretensão de discutir com uma das sumidades da advocacia portuguesa.
Julgo entretanto que há questões em que o bom senso e a ética política bem podem dispensar o diploma universitário.
Se não, vejamos: ouvido pelo Público, o advogado José Miguel Júdice (ai tanto que ele gosta de falar...) apressa-se a declarar que as certidões extraídas do processo Face Oculta «não têm qualquer valor de prova» e que deveriam ter sido «sumariamente arquivadas», referindo a jornalista que, segundo Júdice, mas sem citação expressa, «tem uma base ilegal» e que as «escutas telefónicas autorizadas pelo juiz no âmbito de um determinado processo não podem ser utilizadas para nenhum outro objectivo».
Ora, a este respeito, atrevo-me a anotar o seguinte:
- não faço ideia porque é que é J.M. Júdice vem explicar que as certidões não têm qualquer valor de prova porque até nem conheço ninguém que publicamente lhes tenha atribuido esse valor; e, assim sendo, é de registar a pressa tranquilizadora (para quem ?) de J. M. Júdice;
- julgava eu que as certidões, como me parece mandar o bom senso, não tendo valor de prova, podiam servir legitimamente, como fazendo fé de prováveis índicios de crime ou ilegalidade que justificariam uma investigação autónoma que, também eventualmente, viesse a obter meios de prova autênticos e escrupulosamente legais;
- parece-me que se tivesse sido feita a vontade ao dr. José Miguel Júdice e as certidões tivessem sido «sumariamente arquivadas», estaríamos perante uma situação em que a Justiça tinha diante dos olhos índicios porventura significativos ou relevantes de práticas de crimes distintos do que estava investigar no Face Oculta mas, pudicamente, olhava para o lado e fingia não ter visto ou ouvido o que, de facto, viu ou ouviu.
Finalmente, talvez seja próprio de advogados resumir tudo a questões de legalidade jurídica ou de Direito, esquecendo-se não inocentemente que há mais mundo para além disso e que, designadamente quando estão em casa titulares de cargos políticos, aparece inevitavel e justamente em cena a questão da ética e da seriedade políticas.
Lembro apenas que o dr. Fernando Negrão foi, de facto, absolvido no caso das fugas de informação que, à frente da Judiciária, fazia para o DN por as escutas que o ilustravam serem ilegais. Mas julgo que ninguém esqueceu que era mesmo a voz dele que estavam nas gravações em alta voz feitas pelo DN e que nelas ele dizia mesmo o que as citações lhe atribuiam. Com todas as consequências políticas que se queira tirar.
Resumindo, no lugar de José Sócrates a primeira coisa que eu faria era dispensar e tirar o tapete a defensores oficiosos do tipo de J. Miguel Júdice. De facto, com amigos assim...
P.S: Para não haver confusões, esclareço me oponho frontalmente à inquietante deriva para instituir julgamentos na praça pública, liquidar na prática a presunção de inocência substituindo-a pela presunção de culpa e as patentes violações do segredo de justiça bem como a sua gestão política. Entretanto, perante certas decisões, comportamentos e tiques de instâncias da Justiça, nao é de admirar que se vá disseminando no corpo social a ideia de que, sem essas entorses e violações, muita coisa não se saberia e antes seria implacavelmente abafada.